Mostrando postagens com marcador tragédias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tragédias. Mostrar todas as postagens

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Tragédia em Santa Maria: premeditada?


Entre diversas observações, algumas chocam, apontando para uma ação premeditada de influência “diabólica”. Líderes evangélicos exortam a todos que orem e apoiem os afetados pela tragédia. Informações de um texto chamado “Incêndio na boate: acidente ou sacrifício?”, no site Osilluminati.com [cuidemos com os sensacionalismos de sites dessa natureza] estão circulando na internet, detalhando “estranhas coincidências”. O texto aponta, por exemplo, que antes de começar o show, a boate Kiss postou em seu Facebook: “Hoje temos a banda gurizada, a Kiss VAI PEGAR FOGO.” Em seguida, o post foi apagado. Outras “estranhas coincidências” apontadas são o fato de que o dia do desastre, 27 de janeiro, foi o Dia Internacional em Memória do Holocausto, e que o cartaz da banda que provocou o incêndio [imagem ao lado] era de uma caveira dançando e pegando fogo. Entretanto, a “coisa mais estranha”, diz o artigo, é que a última música tocada foi “Die Young” [Morrer Jovem], da cantora Kesha, que é adoradora do deus Bafomé (assista ao clipe com símbolos explícitos).

De acordo com o texto, também, uma sobrevivente disse que viu uma mulher de vestido vermelho sorrindo para todos.

O desastre aconteceu depois que a banda Gurizada Fandangueira fez umshow pirotécnico usando um sinalizador dentro da boate. Dos integrantes da banda, apenas um morreu, os outros saíram ilesos do local em chamas.

Um internauta postou no site do Yahoo, perguntas e respostas, que o incêndio da boate foi obra do diabo, alegando que o “o nome da boate era Kiss, abreviação de Knights In Satan’s Service, ou seja, Cavaleiros a Serviço de Satanás”. “Esse incêndio foi obra do demônio. O pecado do sexo, da nudez, da bebida - todos esses aumentam o poder do diabo”, explicou o dono do post, Rafael.

Para corroborar a hipótese, no Facebook, o apóstolo João Carlos, da Igreja Apostólica Leão de Judá, em Jundiaí, afirmou que o fato de que 245 jovens serem mortos não é normal. “245 jovens foram mortos num evento no Rio Grnde do Sul [sic]. É normal morrer tantos jovens assim??? Não mil vezes não. Tudo que não é normal é espiritual.” “Amado quantos desses jovens o pai, a mãe falaram para não irem neste lugar, mas esses jovens não deram ouvidos para seus pais, a rebeldia e desobediência levou [sic] mais de 245 jovens para morte. É triste saber que o diabo matou e infelizmente vai continuar matando mais jovens ainda.”

Entretanto, comentando sobre a polêmica ao The Christian Post, o líder do movimento Eu Quero Uma Igreja, que propõe uma Nova Reforma Protestante, Ádryan Krysnamurt Edin da Luz, criticou que muitos façam “julgamentos” neste momento. “Nisso vemos como o sistema religioso cria pessoas para julgamento e falta de amor”, disse ele, em um e-mail ao CP. Apesar das diversas especulações, Ádryan afirma que o importante neste momento é que as pessoas saiam para “cuidar dos necessitados”.

“A verdadeira religião não é julgar neste momento de tanta dor, mas, sim, cuidar dos mais necessitados, dos que precisam do nosso abraço, carinho e ajuda (Tg 1:27).”

Ele rejeitou comentários ouvidos por ele como “Ah, eles estavam numa balada, boate... se estivessem numa igreja não teria ocorrido essa tragédia”, dando exemplo da tragédia da [Igreja] Renascer, quando o telhado de um templo caiu sobre 400 fieis que estavam no local.

Segundo ele, ainda que Deus não deixe faltar nada para os que são fieis a Ele, entretanto, “Ele não nos livra da dor, Ele passa conosco na dor”. “O oportunista dirá: ‘Tudo podemos; vamos arrebentar naquele que nos fortalece.’ O verdadeiro homem de Deus refutará: ‘Leia os versículos que vêm antes de Filipenses 4:13, o 11 e o 12. Sei estar abatido, isto é, enfermo, triste, depressivo, angustiado, aflito; e sei ter abundância, ou seja, estar feliz.’”

“A verdadeira vida em Jesus é: no mundo tereis aflições. Nós estamos chorando, chorando com os que choram. [...] É hora de fazermos alguma coisa! É hora de orar por eles, é hora de ajudar e demonstrar o amor que recebemos de Jesus.”

Os desastres, diz o líder cristão, bem como a fome da África, as doenças, a falta de saúde e educação são consequências dos pecados humanos, e de homens poderosos que detêm a maior parte da riqueza da Terra em suas mãos.

Ádryan exorta que todos “chorem por eles e com eles (envolvidos na tragédia), para que o Consolador conforte suas famílias. A noite vai passar; em breve não haverá mais choro, nem mais morte, nem mais dor.”

(Christian Post, via Féem Jesus)
Fonte: PortalAdvento

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Santa Maria e o pecado da moralização


Eu particularmente não vi, mas muitos relataram que alguns evangélicos estavam postando nas redes sociais bobagens sobre a tragédia na boate Kiss de Santa Maria (RS). Uns diziam que se os jovens tivessem na igreja eles estariam vivos. Outros diziam que a tragédia é a manifestação da ira de Deus sobre a sociedade permissiva. É caso para chorar!
Deus sabe o quanto fiquei triste com essa tragédia. Cada rosto despertou em mim um sentimento de luto. Aquele jovem poderia ser um parente meu, quem sabe um irmão ou um primo. Ora, poderia ser um grande amigo ou um colega de faculdade. Números em tragédias são impessoais, mas rostos não! Dei graças a Deus que a minha congregação levantou um clamor pelo consolo das famílias. Infelizmente, em muitas tragédias a igreja esquece de orar, enquanto se apressa em explicar.
…
Se você abriu a boca para falar “se eles tivessem na igreja estariam vivos” lembre, também, os templos sem manutenção provocam acidentes. A maioria de nós congregamos em templos sem nenhuma segurança. Sim, talvez você e eu corramos o mesmo perigo daqueles jovens… Já pensou nisso?
O pecado da moralização
Todas as vezes que uso a expressão “eu avisei” ou “bem feito”, logo me sinto em pecado.  Jogar na cara de alguém o erro com certo prazer de “arauto eficaz” é iniquidade. Sim, é transgressão quando você diz “eu avisei” para jogar ao desobediente o seu prazer mórbido no desastre dele. Isso se chama vaidade. É orgulho, o orgulho dos fariseus. É o pecado da moralização.
Vamos falar do pecado alheio? Sim, é claro, mas com dor no coração. Quando Jesus profere um longo discurso sobre os pecados dos fariseus Ele encerra dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” [Mateus 23.37]. Observe bem quanta lamentação, quanta dor no coração de Jesus com a incredulidade de Jerusalém. Se eu falo de pecado sem dor, eu peco. Motivo? Ora, estamos falando de seres humanos dos quais Cristo deu a Sua própria vida.
Portanto, nada dessas lições de moralismo. Sejamos prudentes. Paulo disse a Tito: “Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados”. [Tt 2.6 ARF], mas alguns versículos antes ele também exortou: “Ensine os homens mais velhos a serem sóbrios, dignos de respeito, sensatos, e sadios na fé, no amor e na perseverança” [Tt 2.2]. Será sobriedade, sensatez, fé sadia falar “bem feito” para jovens mortos em uma tragédia? Será amor e respeito mostrar o seu poder moralizador no calor da tragédia?
Tragédia não é para moralizar, é para chorar, ajudar. Ah, mas foi juízo divino, diriam alguns. Bom, você sabe? Você conhece todos os caminhos de Deus? O pastor que morre de bala perdida dentro da igreja foi fulminado pelo juízo? Ou você pensa que quando pecas continuamente e nada acontece se isso não é uma forma terrível de juízo divino?
…
Sinceramente, é triste ter que escrever um texto como esse diante de tanta bobagem dita por evangélicos na instrumentalização de uma tragédia. Encerro com as sábias palavras de Jesus:
“Naquela ocasião, alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que Pilatos misturara o sangue de alguns galileus com os sacrifícios deles.Jesus respondeu: “Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão”. [Lucas 13.1-5 NVI]
Por Gutierres Siqueira, jornalista.
Fonte: Rádio Novo Tempo