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quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Jesus falou mais sobre o inferno do que sobre o Céu? Será?


Neste último domingo (03-02-2013), um conhecido líder pentecostal brasileiro foi entrevistado no programa de Marília Gabriela, e entre os assuntos abordados (homossexualidade, aborto, dízimo, etc.), ele mencionou algo extremamente "pragmático".


"Nos Evangelhos, Jesus falou mais sobre o inferno do que sobre o Céu. Ele fez isso para mostrar às pessoas como o pecado é terrível, e como elas devem evitar irem para aquele lugar [de eterno tormento]" - disse ele.

Este negócio de acreditar na existência de um inferno eterno de fogo a queimar os "impenitentes" está mesmo arraigado na mente dos professos cristãos de nosso tempo.

Junto com a crença da santidade do domingo, a crença na existência deste lago de fogo eterno (fruto da heresia da imortalidade natural da alma) está no rol das grandes heresias semeadas pelo diabo no Cristianismo. Infelizmente muitos se deixaram enganar! (Gên. 3:4).

Certo domingo, enquanto eu aguardava o programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, passei por um canal onde um outro líder neo-pentecostal (que se auto-intitula de "apóstolo" e fundou sua igreja "mundial" depois de brigar com a liderança de outra igreja "universal"), usava o texto da parábola do Rico e Lázaro para defender que os que rejeitaram a Deus serão atormentados, ETERNAMENTE, no lago de fogo do inferno. Ele dizia: "todo sofrimento que vocês passarem aqui, seja o câncer, a AIDS, uma doença incurável, nada se compara aos tormentos que os perdidos passarão durante toda a eternidade no inferno". Então, ele citava o exemplo do "rico" da parábola, que pedia um pouco de água ao mendigo que havia chegado ao Céu (clique aqui e entenda a parábola).

As pessoas ouviam aquelas heresias com um ar de medo e apavoramento estampados em suas faces, provavelmente dizendo em seus corações: "Deus me livre de ir para o inferno, sofrer desse jeito para todo o sempre!".

Assim como este "apóstolo" e o outro pastor entrevista ontem, há muitos pregadores modernos que distorcem a Bíblia e ensinam verdadeiros absurdos doutrinários, maculando o caráter santo de Deus. Eu mesmo recebo muitos e-mails de professos cristãos INDIGNADOS porque eu coloquei aqui no blog um estudo que mostra que o inferno, como eles pregam, não existe (reveja). É uma pena que a Bíblia seja interpretada por estas pessoas sob o ponto de vista da filosofia grega, PAGÃ e, muitas vezes, DIABÓLICA.

Quero ratificar a certeza que tenho de que não haverá este tal lago de fogo e enxofre a arder eternamente (creio que ele existirá, porque a Bíblia assim o diz, mas não posso jamais crer que permanecerá queimando por toda a eternidade). E apresento algumas perguntas que os "infernistas" não têm como responder biblicamente.

1. Se a parábola do rico e Lázaro deve ser entendida literalmente (cf. Luc. 16:20-31), então o inferno e o céu são tão próximos que as pessoas (salvos e perdidos) terão contato entre si durante a eternidade?

2. Como a eternidade seria um local de gozo e paz eternas (cf. 1Cor. 2:9), se continuássemos mantendo este contato macabro com nossos parentes, filhos, pais, amigos, vizinhos, etc., que não se salvarem e que nos procurarem constantemente para lhes "molhar a língua"?

3. Se a palavra "eterno", referindo-se ao fogo, significa que ele arderá para sempre, como fica a declaração bíblica de que Sodoma e Gomorra foram destruídas pelo "fogo eterno" (cf. Judas 1:7)? Se assim o fosse, não seria para haver um lugar na face da Terra (onde estas cidades estavam situadas) com uma tocha de fogo inextinguível?

4. Se Deus não destruirá de uma vez por todas o pecado, mantendo o diabo e seus seguidores no inferno eterno, então como podemos dizer que a morte foi vencida e "destruída" (cf. 1Cor. 15:26)? Como crer que o diabo foi vencido e destruído, se ele continuará vivo por toda a eternidade? Com esta crença herética do fogo ardendo eternamente, o diabo sairá como o grande vencedor!

5. Se as pessoas que morreram em Cristo já estão no céu (como os que defendem o inferno afirmam), então qual a necessidade da ressurreição (cf. João 5:29)? Por que elas precisariam deixar o céu, voltar para o corpo sepultado, ressuscitar e novamente retornar para o céu? Será que é por causa deste "dilema doutrinário", impossível de ser resolvido, que não se vê muita pregação sobre a ressurreição nas igrejas cristãs que crêem no estado consciente dos mortos? Pergunte ao seu pastor pentecostal por que ele não prega sobre a ressurreição!

6. Como o Universo entenderia a justiça de Deus, se Ele condenasse um adolescente, por exemplo, a uma eternidade de tormentos infernais, como punição (ou "vingança" como recentemente me escreveu alguém inconformado com minha fé) por 13, 14, 15 ou 16 anos de pecado? Nem mesmo os tribunais humanos, enlameados por denúncias de corrupção, politicagem e outros erros, são tão implacáveis! Quanto mais um Deus que a Bíblia diz que é só amor e justiça (cf. 1Jo 4:7-16)!

7. Se já recebemos a recompensa logo por ocasião da morte, como querem os infernistas, como será que Lázaro, irmão de Marta e Maria, deve ter se sentido depois que Jesus o ressuscitou (cf. João 11)? Segundo a heresia pregada nas igrejas cristãs, ele foi chamado de volta para este mundo de pecado e sujeiras depois de ter experimentado 4 dias de "glória" no Céu. Perceberam o absurdo de se crer no paganismo grego?! Prefiro ficar com a Bíblia!

8. Se a Bíblia é claríssima em dizer que os mortos não sentem, nem sabem nada (cf.Ecles. 9:5-6), como, então, alguém pode defender que os mortos sofrerão atormentados pelos pecados dos quais não se arrependeram? Como harmonizar o que a Bíblia diz nestes versos com o que o tal "apóstolo" ensinou baseado na parábola de Lucas 16? Se os mortos não sabem mais nada, como que o "rico" da parábola estava tão preocupado com seus parentes? Mais uma vez, prefiro ficar com a Bíblia, e crer na morte como um "sono" (cf. Jo 11:11-14), afinal parábola é parábola e não se deve interpretá-la literalmente!

9. O tal "apóstolo" também ensinou que somos imortais, por isso viveremos, no céu ou no inferno, eternamente. Como harmonizar isso com a declaração de que SOMENTE DEUS é naturalmente imortal (cf. 1Tim. 6:16)? Como harmonizar esta declaração herética do cristianismo moderno, com a afirmação bíblica de que quem peca "morre" (cf. Ezeq. 18:4 e 20)?

10. Se a Bíblia sempre usa expressões do tipo: "consumirá", "extinguirá", etc., para se referir a este fogo eterno, como posso crer que as pessoas continuarão "vivas" para sempre? (cf. Malaq. 4:1). Se a Bíblia diz claramente que não restará "nem raiz nem ramos", como eu posso crer que o fogo continuará ardendo? Afinal, é a "chama" do fogo que é eterna, ou suas "consequências" é que o são?

Por enquanto é só...

Quem desejar fazer comentários, ou responder às questões (sem achismos, blá-blá-blá, "me disseram" ou a velha lenga-lenga de criticar Ellen White e os Adventistas), fique à vontade. Desta vez, sou eu quem lança o desafio...rsrs

"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras" (Apoc. 21:4-5).

Por Gilson Medeiros

sábado, setembro 29, 2012

Adventistas: Evangélicos ou Seita?


Uma resposta ao artigo: “Como água e óleo” – Eclesia – Janeiro de 2001 

Acabo de reler a revista Eclésia de janeiro de 2001 onde me deparei com a matéria de Carlos Fernandes intitulada: “Como água e óleo” (p. 50 a 58). Através dela se pretende mostrar que doutrinas antagônicas separam evangélicos de adventistas.

Acredito que Fernandes seja um jornalista, pelo menos é o que posso perceber na sua maneira de escrever.

Em linhas gerais o autor parece ser isento, apenas se limitando a colocar as posições adventistas de um lado e a dos evangélicos do outro. Digo em linhas gerais pois de vez em quando ele deixa de ser repórter e se comporta como um “militante” evangélico. O que chega em alguns pontos a tirar a credibilidade do material.

Tergiversações à parte o artigo merece alguns esclarecimentos, o que faço a seguir:

1.   A Matéria contém imprecisões históricas:
É uma pena que os escribas que escrevem sobre o adventismo não bebam em fontes seguras e primárias. Por primárias, eu entendo como sendo livros e artigos escritos por pessoas isentas de preconceito e que não escreveram baseados em mitos sobre os adventistas e sua história.

Hoje muitos opúsculos, que estão nas prateleiras de muitas livrarias, na verdade são cópias de cópias, e não refletem a verdade. Quase todos seguem o “trilho do bezerro doente”. Um escreveu e os outros se limitaram a copiar sem investigação acurada.

Infelizmente o senhor Fernandes caiu neste canto da sereia que é pesquisar pouco para escrever. Senão vejamos: Ele diz na p. 51 que Willian Miller “criou o Movimento do Advento” em meados do século 19. Á primeira vista é isto mesmo. Mas as coisas não são bem assim.

O Movimento do Advento teve seus fundadores em vários continentes com a participação de várias religiões. Por exemplo na América do Sul um sacerdote católico escreveu um livro sobre o segundo advento de Cristo. (“La venida del Messias”). Seu nome era Manuel Lacunza, um jesuíta.

José Wolf, um judeu cristão, também pregou a segunda vinda de Cristo na Europa e no Oriente Médio, e foi até perseguido por isso.

Mas, o interessante é que ninguém fala deles. Centram-se só em Miller como a dizer que ele era um desvairado marcador de datas para a volta de Jesus. Miller era um pesquisador sincero das Escrituras. Teve avanços significativos, e redescobriu pontos da Bíblia esquecidos pelos religiosos de sua época.

Aliás, o artigo diz que quando Jesus não voltou em março de 1843, Miller teria “refeito os cálculos” e chegado à conclusão de que a data seria 22 de outubro de 1844. De novo o Sr. Carlos Fernandes leu na fonte errada. Na verdade quem “refez o cálculo” não foi Miller, mas seus colaboradores, entre eles Samuel Snow. Para Miller o mais importante não era a data, mas a volta do Senhor.

Ainda outro erro histórico: Com o desapontamento de 1844 o movimento fragmentou-se em vários grupos.
O grupo dos que desanimaram e abandonaram a fé foi grande; o segundo foi o grupo do “status quo” que continuou a marcar datas para a vinda de Cristo. E o terceiro grupo foi um formado por conjunto de estudiosos da Bíblia que com oração e lágrimas descobriu as verdades bíblicas até então desconsideradas. Este grupo é que em maio de 1863 tornou se a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Os três grupos não se “uniram para formar a Associação Geral das Igrejas Adventista do Sétimo Dia”, como quer o articulista. (p. 52).

A Igreja Adventista não surge de alguma briga de líderes por causa do poder eclesiástico, mas por um grupo que entendeu que Deus os chamou para pregar uma mensagem bíblica cristocêntrica e equilibrada.

Ellen White teve participação no desenvolvimento da doutrina, mas não foi ela quem “lançou as bases da fé adventista” como apregoa a revista Eclésia.

Pessoas piedosas estudaram profundamente as Escrituras e chegaram às conclusões sobre pontos doutrinários. Ellen com suas visões apenas confirmou ou retificou o que já se havia estudado.

2.   A matéria contém distorções sobre as doutrinas adventistas.

Em minha experiência de cristão aprendi que nem sempre uma heresia é exatamente uma doutrina errada, mas pode ser uma ênfase errada numa doutrina certa.

Propositalmente ou não é o que o acontece quando muitos dos chamados “especialistas em apologética” falam ou escrevem sobre doutrinas adventistas.

Por exemplo, o Sr. Roque Carvalho, um dos entrevistados diz o seguinte sobre a maneira como os adventistas vêem a questão da salvação: “Se a salvação, para eles, depende da obediência à lei do Antigo Testamento, então a graça de Deus não faz sentido” (p. 58). Ele então desafia: “É possível ser meio cristão?”. Que argumentação paupérrima e descabida!

Os adventistas não crêem em salvação pelas obras da lei. Vamos colocar as coisas nos devidos lugares.

A Igreja Adventista crê na salvação pela graça por meio da fé em Cristo (Efésios 2:8). Entende também que sendo perdoada e justificada por Cristo (Romanos 5:1) a pessoa agora guarda pela fé, os mandamentos de Deus. Pois fé sem obras é morta (Tiago 2:17).

A grande dificuldade de alguns é entender a verdadeira função da lei moral de Deus na vida do cristão.

Eles ficam confusos quando lêem Paulo: “ Ninguém será justificado diante dele por obras da lei...” (Romanos 3:20) e logo a seguir “a lei é santa e o mandamento, santo e justo e bom.” (Romanos 7:12).

Afinal Paulo era contra ou a favor da lei? Um estudo isento de preconceitos e dentro de princípios hermenêuticos mostrará que Paulo era contra o mau uso da lei de Deus. Na sua época pessoas achavam que cumprindo os preceitos seriam salvos e deixavam Jesus de lado. Para Paulo a lei mostra o pecado (Romanos 3:20), e como um aio (um ajudador) conduz o pecador a Cristo (Gálatas 3:24) a fim de este ser justificado pela fé.

Desta forma o apóstolo não descartou a lei, mas colocou-a no seu devido lugar: mostrar o pecado.

Todavia, o problema está com os que param por ai e dizem: Paulo nos desobriga de guardar a lei...
Ledo engano. O mesmo escritor sagrado diz que os “simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” (Romanos 2:20).

Estaria ele (Paulo) pregando salvação pela lei? De forma alguma. Ele apenas está dizendo que os que guardam a lei o fazem depois de terem uma experiência de salvação com Jesus Cristo e sua graça.

Portanto,, para os adventistas guardar a lei não é um meio de salvação, mas uma conseqüência de salvação.

Alguns parecem dizer que estar salvo em Cristo é o mesmo que desobedecer a lei. Isto é um absurdo que nem os oponentes gratuítos do adventismo aceitariam.

Teimam em distorcer este assunto. Talvez por medo de seus fiéis compreenderem esta verdade bíblica e eles perderem suas gratificantes funções de “intérpretes da lei.” Os escribas modernos usam do Velho Testamento só o que lhes interessa. Quando o assunto é dízimo logo eles correm para Levíticos, Deuteronômio e Malaquias. Mas quando se fala em sábado dizem que ele foi abolido...

Outro exemplo de distorção ficou por conta do Pr. Natanael Rinaldi. Duas coisas ditas por ele merecem uma explicação maior. A primeira é com respeito a Miguel ser igual a Cristo. Na verdade Miguel é um dos nomes de Cristo na Bíblia. Como um razoável conhecimento de hebraico se concluí que o nome Miguel quer dizer: “Quem é igual a Deus?”

E, a resposta natural seria esta: Quem é igual a Deus, só Jesus Cristo. Portanto, diferente do que expõe Rinaldi, dizer que Miguel é um nome de Cristo na Bíblia não relativiza a deidade de Cristo, mas a confirma. Para o adventismo Jesus Cristo é Deus pleno (Colossenses 2:9).

É provável que alguma autoridade do Instituto Cristão de Pesquisas ainda fique com dúvidas e argumente dizendo que a Bíblia fala de Miguel como um arcanjo e não como Cristo. Pois bem, seria interessante lembrá-lo de que a palavra bíblica para anjo também quer dizer “mensageiro”. E, Jesus Cristo foi o mensageiro de Deus para a humanidade.  Em Cristo está a maior revelação de Deus Pai (Hebreus 1:1 e 2). E ainda mais, devemos recordar que ao identificar Jesus como  o “Arcanjo Miguel”, a Bíblia não o torna um mero anjo, como também não o transforma em animal ao identificá-lo como um “Cordeiro”  (João 1:29) ou como um “leão” (Apocalipse 5:5).

Algo mais: Miguel em Daniel 12:1 e 2 aparece para defender o povo de Deus e de acordo com o profeta ocorre uma ressurreição como conseqüência disto. Será que um anjo pode ressuscitar mortos? Este Miguel deve ser mais do que um anjo...

Outra afirmação infeliz: “Os adventistas consideram que Cristo adentrou no santuário celeste em 1844...”.

Quem disse isto? Onde Rinaldi encontrou tal afirmação?

A literatura adventista deixa claro que Cristo pode ir (e foi) ao lugar santíssimo do santuário celeste desde sua ascensão ao céu. O que se destaca é que em 1844 (segundo a profecia de Daniel 8:14) Jesus iniciou a fase do santíssimo  no santuário celestial. Todavia, Ele sempre trabalhou em nosso favor, como intercessor. Os adventistas não limitam a Cristo.

Sobre este ponto seria saudável dizer que embora a obra de salvação foi completa na cruz do calvário seus efeitos serão sentidos por toda a eternidade.
Alguns não entendem porque Jesus hoje está ministrando no Santuário Celestial (Hebreus 8:1 e 2) como sumo sacerdote se Ele já fez tudo na cruz.

Eles não entendem que a salvação é um plano completo. Ela envolve nascimento, a vida impecável de Cristo, sua morte na cruz, sua ressurreição, sua intercessão, e o juízo no santuário celestial e a sua segunda vinda para fazer o juízo final.

A mesma Bíblia que diz que quem não crê em Cristo “já está julgado (João 3:18), também diz que Deus “estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça...” (Atos 17:31).

Portanto, ao se falar sobre a obra de Cristo na cruz, temos que enfatizar todos os atos do Senhor antes e depois dela. A cruz é o centro, e o centro deve ser um ponto de atração de todos os demais atos do plano de salvação, sem anulá-los.

Deveria parar aqui, mas Rinaldi tem outra afirmação infeliz: “os ensinos de Ellen White deixam claro que o salvador não é Cristo, e sim, Satanás, já que sobre eles seriam lançados os pecados, à semelhança do bode emissário descrito no livro de Levítico” (P. 52).

O arguto pesquisador certamente está por dedução tentando distorcer a aplicação adventista sobre o bode  por Azazel (Levíticos 16:8).

Azazel e o bode emissário representam a mesma coisa. No original hebraico está exatamente assim: “E lançará Arão sorte sobre os dois bodes. Uma sorte para Javé e outra sorte para Azazel.”

Comentando este texto diz o comentário evangélico (não adventista) The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge: “Partindo do fato de que há um contraste entre expressões ‘para Jeová’ ‘para Azazel’, supõem muitos que Azazel seja um nome oposto a Jeová, um monstro do deserto, um demônio, ou diretamente Satanás... O contraste entre ‘para Jeová’ e ‘para Azazel’ favorece a interpretação de Azazel como substantivo próprio, sugerindo em si mesmo, uma referência a Satanás.”

Desta maneira o bode emissário (Azazel) é visto como o próprio Satanás. Porém a acusação é de que os adventistas por interpretarem assim Levítico 16 estão dizendo que o diabo é o salvador, e não Cristo. Não sei onde se lê esta afirmação nos livros adventistas.

Para os adventistas Azazel (Satanás) não participa da expiação. Ele não é o Salvador, pois ele não derramou seu sangue. Isto é concluído a partir de uma leitura bem feita de Levítico 16:9 e 10. O verso 9 fala do bode “para o Senhor” (que simbolizava Cristo) que era o único que tinha o seu sangue derramado. “Sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22). O verso 10 fala do bode emissário (Azazel) cujo sangue não era derramado, em resumo ele não era oferecido em sacrifício pelo pecado. Ele apenas simbolicamente carregava os pecados do povo e morria no deserto sem derramar sangue.

O bode emissário prefigura Satanás que vai morrer, não para perdoar pecados, mas por causa dos pecados que cometeu e induziu pessoas a cometer (Apocalipse 20:7 e 10).

Portanto, dizer que por esta interpretação de Levítico 16 os adventistas crêem em Satanás como salvador é um absurdo que se petrifica no absurdo.

Satanás não é, nem nunca foi nosso salvador. A Igreja Adventista do Sétimo Dia  nunca ensinou isto. 

Conclusão:

Muita coisa ainda poderia ser dita sobre a polêmica matéria da revista evangélica.

Porém, gostaria de fazer mais duas explicações e depois uma pergunta:

a.   Estado do homem na morte:
Na Bíblia a alma significa a pessoa total. O homem não tem uma alma, ele é uma alma. Gênesis 2:7 diz que da junção de fôlego de vida e pó da terra o homem foi feito “alma vivente”. Não veio uma “alma” e entrou dentro dele, mas ele inteiro passou a ser uma alma. Alma significa a pessoa inteira. A morte seria a desintegração da alma. O pó volta à terra e o espírito (ruach no hebraico = fôlego de vida) volta para Deus (Eclesiastes 12:7).

Há várias razões par se crer que a alma é mortal:
1.   “A alma que pecar esta morrerá” Ezequiel 18:4
Ezequiel não está falando figurativamente (ou espiritualmente apenas). Ele está falando de pessoas e situações reais (leia também Ezequiel 18:1 a 9).
2.   A única vez que a palavra imortal aparece na Bíblia é atribuída a Deus (I Timóteo 1:17).
3.   A idéia de uma alma imortal é de origem pagã. Os gregos transmitiram para os judeus e esta pregação anti-bíblica chegou até os cristãos.
4.   O inferno como lago de fogo acontecerá no fim (Apocalipse 20:14).
A palavra inferno quer dizer sepultura ou lugar inferior. O credo dos apóstolos diz que Jesus morreu e desceu aos infernos (sepultura). Só uma perguntinha: Se as pessoas que morrem hoje já vão para o céu ou para o inferno de condenação, por que Deus terá que realizar um juízo final? Afinal de contas já não estão todos julgados?  Quando a Bíblia usa a palavra inferno no sentido de fogo o faz referindo-se ao lago de fogo no fim.

b.   A questão do adventismo como seita.
A questão do adventismo ser ou não uma seita não me preocupa. Explico porque: Nem sempre a palavra seita tem uma conotação ruim ou desastrosa. Os “especialistas em apologética” que usam de forma indiscriminada esta palavra para ofender o adventismo certamente estudaram a história do cristianismo.

Em seus primórdios a igreja cristã nada mais era do que uma seita rejeitada do judaísmo. Nem por isso o cristianismo deixou de ser a fé verdadeira.

Se continuarmos a pesquisa veremos que o mesmo ocorreu com a reforma protestante do século 16. Lutero, Calvino e outros eram considerados uma “seita do diabo” por aqueles que detinham as “chaves do céu e do inferno”: a igreja oficial.

Apesar de os adventistas se considerarem cristãos por crerem nas doutrinas essenciais do cristianismo, eles empunham a bandeira de doutrinas que tem sido esquecidos pelos chamados cristãos evangélicos em nossos dias.

Walter Martin, conhecido autor batista do livro The Kingdon of the Cults, depois de uma exaustiva pesquisa sobre doutrinas adventistas concluiu que embora a igreja tenha doutrinas distintivas, ela ainda pode ser cristã por proclamar verdades básicas do cristianismo.

Apesar disto ser chamado de seita por uma causa justa não é ruim, mas um testemunho da verdade no tempo do fim.

c.   Uma última pergunta:
Durante toda a reportagem se falou de um aparente confronto entre a igreja adventista e os evangélicos.

Mas, perdoem-me a pergunta incisiva: De que povo evangélico estamos falando? Confesso que tenho dúvidas sobre quem são de fato os verdadeiros evangélicos em nossos dias.

Às vezes acho que são os protestantes históricos que receberam um legado maravilhoso dos homens de Deus que foram os precursores da fé. Mas, desisto de pensar assim, pois algumas destas igrejas estão mais ligadas a uma filosofia e teorias de teólogos do que na Bíblia. O princípio de “sola scriptura” substituído por teorias e métodos racionalistas de estudo bíblico. O fervor missionário de algumas correntes tem estado em queda e em alguns países templos tem sido vendidos por absoluta falta de assistência dos fiéis que perderam a fé e a devoção.

Às vezes chego a pensar que são os queridos e fervorosos irmãos pentecostais. Mas infelizmente alguns se limitam apenas a uma interpretação unilateral dos dons do espírito.

Onde estão as outras doutrinas bíblicas? A fé muitas vezes é baseada só na emoção em detrimento de um “Assim diz o Senhor”.

Será que por evangélicos devo entender alguns (não todos) políticos que usam o nome de evangélicos para conseguir votos dos de boa fé?

Será que evangélicos são alguns  (não todos) pregadores do rádio e da televisão que fazem um império na terra e vivem fugindo da Receita Federal como o diabo foge da cruz?

Ou evangélicos serão alguns pregadores que gostam de estar de bem com todos fazendo um discurso politicamente correto, e não raro estando envolvidos em escândalos financeiros e sexuais manchando o nome de Cristo?

Seriam evangélicos determinados “artistas” que continuam vivendo como sempre viveram e se declaram evangélicos nas entrevistas?

Sinceramente, ser evangélico é viver o evangelho de Cristo. Alguns tipos de evangélicos não me fascinam.

Simplesmente ter o nome de evangélico pode não significar nada. Parafraseando Paulo eu diria: “Evangélico ou não evangélico não importa, mas sim ser uma nova criatura”. 


Autor: Pr.  Moisés Mattos – MIPES - USB 

quarta-feira, junho 03, 2009

A igreja Adventista é uma seita?

Evangélicos são considerados aqueles que aceitam as doutrinas essenciais da Bíblia, principalmente as que dizem respeito à Cristo.
Veja o que escreveu Eddie Gibbs, um renomado escritor evangélico em seu livro Church Next (Downers Grove, IL: Inter Varsity Press, 2000) à página 54:
“Podemos definir igrejas evangélicas como aquelas que têm se comprometido com certos fundamentos teológicos inegociáveis. Isto inclui:
1) A natureza de Deus revelado como três em uma Trindade;
2) A singularidade de Jesus Cristo como o Filho de Deus, que é completamente divino, contudo, tornou-se plenamente humano através de Sua encarnação;
3) Os evangélicos mantêm a crença de que Deus escolheu revelar-Se a Si mesmo para a humanidade através dos atos poderosos dEle e palavra falada fielmente registradas nas Escrituras e supremamente revelada na pessoa de Cristo;
4) Eles insistem na necessidade universal de salvação e na singularidade do trabalho salvador de Cristo para trazer perdão, livramento, regeneração, adoção e santificação;
5) Eles são encorajados pela segura esperança do retorno pessoal de Cristo;
6) Afirmam que todas as pessoas irão postar-se diante de Deus no julgamento final;
“São estas convicções inamovíveis que constituem a base para a dedicação dos evangélicos à evangelização mundial”.
Perceba que os Adventistas do Sétimo Dia possuem todas essas qualidades essenciais em seu corpo doutrinário. Para comprovar isso, sugerimos a leitura do livro “Nisto Cremos” (Editora Casa Publicadora Brasileira) que esboça de maneira mais detalhada as nossas 28 doutrinas.
O termo “seita” se refere ao um grupo de pessoas com doutrinas diferentes da maioria ou a alguma denominação que possui doutrinas erradas. Veja que o termo pode ter tanto um sentido bom quanto um pejorativo. Infelizmente, em nossos dias os Adventistas são chamados de “seita” não por terem suas doutrinas peculiares (Doutrina do Santuário Celestial e do Juízo Investigativo, Cuidado do Corpo como sinal de espiritualidade, Mortalidade da alma e dom profético na pessoa de Ellen G. White), mas com o sentido pejorativo da Palavra. Isso faz com que muitas pessoas deixem de estudar aquilo que ensinamos simplesmente pelo medo de lidar com uma “seita”. Ou seja: a acusação de muitos religiosos aos Adventistas é para afastar as pessoas e impedir que elas conheçam outras verdades que, consequentemente, trariam grandes benefícios à vida espiritual do crente.
Mas todo aquele que se aproxima de um Adventista para sinceramente descobrir no que ele acredita, sai com a certeza de que exaltamos a Jesus e a Palavra dEle. Portanto:
Alguns falam mal dos Adventistas por falta de informação;
Outros, talvez o façam sendo sinceros, mas estão enganados.
No sentido ruim do termo, seita é todo o movimento que não aceita toda a Bíblia (e suas principais doutrinas, mencionadas acima) como regra de fé e não aceita a Jesus como Salvador e Deus.
Veja algumas características de uma seita:
1. Substitui a Jesus por um líder humano ou nega a divindade Dele;
2. Substitui a Bíblia pelas tradições humanas ou por crenças consideradas heresias na Bíblia;
3. Usa da coerção para fazer com que seus seguidores sigam suas opiniões, bloqueando assim liberdade de escolha destes.
Existem as “seitas” e as “falsas religiões”. Ambas são maléficas. A igreja Adventista não se encaixa em nenhuma destas categorias como poderá ser visto brevemente mais abaixo.
É preciso lembrar que estamos todos imersos na grande guerra entre o bem e o mal. Como numa guerra real, existe a informação e a contra-informação. Satanás, o inimigo de Deus, quer conseguir com que o erro pareça ser verdade e a verdade pareça ser erro. Por isso, precisamos pedir ao Espírito Santo que nos dê iluminação para discernirmos todas as coisas: “Por esse motivo, desde o dia em que ficamos sabendo de tudo isso, nunca paramos de orar em favor de vocês. Pedimos a Deus que encha vocês com o conhecimento da sua vontade e com toda a sabedoria e compreensão que o Espírito de Deus dá”. Colossenses 1:9.
O próprio Apóstolo Paulo foi acusado de pertencer a uma seita. Veja: “Porém confesso-te que, segundo o caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas” Atos 24:14. Se Paulo, apóstolo de Cristo, foi acusado de fazer parte de uma seita, isto também pode ocorrer com os Adventistas e com muitas outras religiões sérias que fazem da Palavra de Deus sua única regra de fé e prática (nesse caso fico até feliz quando dizem que sou sectário, pois o sou considerado por causa das mesmas crenças de Paulo, no tocante a Lei e ao Antigo Testamento!)
O fato de Paulo ser acusado de pertencer a uma seita não demonstra que ele fosse um sectário. Nós sabemos que ele seguia o caminho ensinado por Jesus e os apóstolos. Do mesmo modo, o fato dos Adventistas serem chamados de “seita” (no sentido pejorativo da palavra) não faz com que eles sejam de fato uma religião de segunda categoria. Unicamente os procedimentos e doutrinas é que poderão conferir-lhes este estigma ou não.
Quem estuda sobre os Adventistas nas fontes certas, passa a ter outra compreensão sobre eles
É bom lembrar que muitos evangélicos, após verificarem os fatos (algo que todo pesquisador sincero deve fazer), mudaram seu ponto de vista em relação aos Adventistas.
A Revista Eternity (para um comentário mais abrangente sobre este artigo ver: “Subtilezas do Erro”, de Arnaldo B. Christianini. Casa Publicadora Brasileira, 1981) designou um redator membro da Igreja Batista para realizar uma pesquisa imparcial e profunda na mensagem dos Adventistas do Sétimo Dia. Eis o resultado de seu pronunciamento insuspeito exposto no número de outubro de 1956, pág. 38 da citada revista:
“Este redator leu todas as publicações antiadventistas publicadas nos últimos 57 anos arroladas no catálogo da Biblioteca do Congresso e da Biblioteca Públicas de Nova York. Menos de 20 por cento daquelas obras são atuais ou contêm a exata posição dos Adventistas do Sétimo Dia como é pregada e publicada nos dias atuais.
“Minha pesquisa resultou em descobrir o fato de que não somente muitas citações inverídicas relativas àss primeiras publicações adventistas foram expurgadas das atuais publicações, mas que muito dos críticos do adventismo do sétimo dia faziam uso constante e condenado pela ética, do processo chamado “elipse” - mutilação de parte da frase, e ás vezes de parágrafos inteiros entre dois períodos - a fim de forjarem a acusação de que os adventistas sustentam idéias que, em verdade, rejeitam com veemência”.
Conclui o pesquisador:
“Este redator de modo algum é adventista do sétimo dia e tampouco - como batista que é – poderia sustentar as doutrinas distintivas dos adventistas… porém, um estudo imparcial dos fatos cobrindo um período de sete anos, entrevistas com líderes da igreja adventista, e, sobretudo, através de conhecimentos de uma infinidade de publicações adventistas e de publicações contra eles, conduziu-me como pesquisador a crer que um reexame da crença do adventismo do sétimo dia é necessidade imperiosa nos círculos evangélicos ortodoxos de nossos dias”.
O pastor Walter Martin, polemista e escritor batista norte-americano, escrevera, no passado, muita inverdade (por má informação) contra os Adventistas. Após investigação honesta sobre a exata posição doutrinária dos cristãos que guardam os mandamentos de Deus, publicou recentemente um livro de grande repercussão nos meios evangélicos, intitulado “The Truth About Seventh - Day Adventism” (“A Verdade a Respeito do Adventismo do Sétimo Dia”), em que se penitencia de muitos exageros e incorreções em que incidira em relação a nós. Embora discordando de pontos doutrinários que sustentamos, escoimou-se das invencionices e acusações gratuitas, chegando á seguinte conclusão: “os adventistas são cristãos genuínos, crentes em Cristo, salvos pela fé.” - Ibidem, pág. 10.
O pastor Billy Graham, um dos melhores pregadores do mundo, disse em várias oportunidades que os Adventistas são cristãos e se mostrou inclusive amigo dos guardadores do Sábado.
Cada dia um maior número de pesquisadores bíblicos tem chegado à conclusão de que os “sabatistas” são plenamente cristãos, pois suas crenças se baseiam unicamente na Bíblia Sagrada!
Querido (a) leitor (a): se você deseja conhecer realmente o que ensinamos e pregamos, não se atenha ao que outros dizem a nosso respeito. Tenha cuidado com as afirmações colocadas na internet, especialmente de sites que se intitulam “sites apologéticos”. Leia você mesmo nossas publicações e tire suas próprias conclusões. Só assim você poderá descobrir no que realmente cremos.
Os Adventistas afirmam e crêem que a salvação é unicamente pela fé - um presente da graça de Deus. Eles têm redescoberto verdades importantes da Palavra de Deus que estavam escondidas. Verdades plenamente bíblicas e que se constituem em sinal de amor e lealdade para com Deus. Verifique por você mesmo os ensinos deste povo!
Caso queira receber algum material por escrito a respeito do que crêem os Adventistas do Sétimo Dia, por favor, entre em contato conosco por carta, e-mail (escolabiblica@novotempo.org.br) ou telefone (12)2127-3000 (horário comercial). Relembramos que você poderá ler o livro “Nisto Cremos”, publicado pela Editora Casa Publicadora Brasileira (www.cpb.com.br ; fone: 0800-9790606).
(Por Leandro Soares de Quadros)