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quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Algumas diferenças entre o ateu e o à toa

INTRODUÇÃO
Ao ler o título desse pequeno artigo você pode estar pensando que me proponho a refutar aos ateus. Porém, não é esse o caso. Meu propósito é levar o leitor a refletir sobre a necessidade de compreendermos melhor alguns ateus e respeitá-los como seres humanos, pois muitos deles se tornam céticos por algum motivo compreensível, mesmo que não justificável.
Quero que você compreenda que muitos se tornam ateus não por causa de uma simples escolha que fizeram numa linda tarde de verão ou enquanto descansavam na praia. Há ateus e agnósticos que vivenciaram situações terríveis que os levou a questionar a existência de qualquer divindade que pudesse realmente amá-los nos momentos em que se sentiram desamparados e em meio à profunda dor emocional.
Antes de analisarmos um pouco melhor sobre uma das origens do ateísmo, primeiramente precisamos diferenciar um ateu de um à toa.
ATEU VERSUS À TOA
* O ateu se utiliza de alguma base racional para sua postura. É uma pessoa inquiridora, que aprecia estudar e não adota uma postura simplesmente por que “a maioria” o faz.
* O à toa, nem sabe o porquê é ateu. Torna-se “ateu” por que “está na moda”.
* O ateu, mesmo achando a religião fruto da mente “primitiva” (compreensão infeliz essa), pelo menos sabe respeitar aqueles que pensam diferente dele.
* Por sua vez, o à toa dirige palavras de baixo calão aos que creem, e não têm muita noção de civilidade, educação e respeito. 
* Parte dos ateus possui uma razão compreensível (não estou justificando) para sua descrença em Deus.
* O à toa se diz “ateu” sem ter qualquer razão compreensível para isso, base lógica ou uma história de sofrimento que o tenha levado a duvidar da existência de um Criador amoroso. 
Pretendo um dia aumentar essa lista de diferenças entre o ateu e o à toa. Porém, agora, quero me deter nesse último ponto, que é a ideia central de minha reflexão: o de que vários ateus possuem razões compreensíveis (não justificáveis) para seu ceticismo.
Imagine uma criança que cresceu ouvindo de seus pais que Deus é amor, e que Ele cuida não apenas daqueles a quem Ele ama, mas também dos que não O amam (cf. Mt 5:43-45). Porém, aos 13 anos, esse pré-adolescente vê os pais serem assassinados na sua frente num assalto à mão armada, enquanto entravam com o carro na garagem de casa.
A tendência nesse caso (não estou fazendo disso uma regra) é o jovem se questionar: “como um Deus de amor, que ama minha família, pode permitir uma coisa dessas?” Se tal questionamento não for trabalhado com a ajuda de um cristão adulto, para que a vítima compreenda as questões em jogo no conflito entre o bem e o mal (cf. Ap 12:7-9; Jó capts. 1 e 2), dificilmente esse pré-adolescente terá força interna, bem como alguma razão lógica, para acreditar que Deus existe.
O PROBLEMA DO MAL
Não precisaria ser assim[1], mas a existência do mal é o problema mais difícil com o qual se deparam muitas pessoas, ao ponto de se tornarem céticas quanto à existência de Deus e quanto ao valor da religião e da Bíblia. Ao invés de criticarmos um ateu por isso, precisamos compreendê-lo, pois uma situação de profunda dor psíquica, sem que a pessoa tenha tido uma visão mais ampla do conflito entre o bem e o mal (cf. Cl 2:14), pode levar a pessoa a descrer.
Para muitos, o sofrimento é mais uma preocupação existencial que intelectual, sendo portanto um problema de coração, não da mente. Elas não veem muito sentido na vida e no universo[2]. Por isso, o que muitos ateus mais necessitam é de compreensão e ajuda para descobrir as soluções bíblicas para o sofrimento deles.
Até mesmos nós cristãos (ou não cristãos) somos tentados a duvidar em certos momentos quando nos sentimentos profundamente perturbados diante de alguma tragédia. Sejamos crentes ou descrentes, somos limitados: temos uma visão míope e bastante subjetiva da realidade. Por isso, ao invés de criticar, deveríamos exercitar nossa capacidade de compreender. Afinal, a verdadeira inteligência emocional envolve compreender no lugar de julgar (cf. Mt 7:1, 2).
Devemos sim realizar um trabalho apologético em favor dos agnósticos e ateus[3], apresentando-lhes as evidências racionais a favor da existência de Deus e veracidade da fé cristã; porém, ao mesmo tempo, devemos olhar para eles como pessoas que têm uma história de sofrimento pior que a de muitos de nós. Devemos ser amáveis, compreensíveis e misericordiosos para com tais pessoas e mostrar a elas que, mesmo existindo o sofrimento no mundo, ele é um intruso (Gn 3), resultado de nossas escolhas (Gl 6:7).
Desde a queda de nossos primeiros pais (Gn 3), “o ser humano não vive mais como Deus planejou que vivesse. O egoísmo e a ganância do ser humano engendraram guerras, fome, a exploração desmesurada da terra, além de mudanças cruciais e potencialmente perigosas dos recursos do mundo”[4]. Devemos mostrar aos ateus e agnósticos que “nenhuma dessas coisas veio da vontade de Deus. Elas são fruto da ação do homem. Ouvimos com frequência que temos uma tecnologia capaz de nos extinguir. Foi escolha nossa, e não de Deus”[5]. É importante os conscientizarmos que, ao invés de serem devidamente explicadas pelo ateísmo ou panteísmo, “as falhas e defeitos em um mundo altamente ordenado e obviamente bem designado têm melhor explicação no resultado de um mundo bom ter sido deteriorado. É exatamente o que o teísmo propõe”[6].
O cristão vive com a esperança de que um dia o Criador restabelecerá a ordem, paz e harmonia de nosso planeta quando Jesus voltar em poder e glória a este mundo (cf. Mt 24:30, 31; Ap 1:7). Nesse momento, todas as lágrimas serão secadas de nossos rostos pelo próprio Deus (Ap 21:4). Isso foi possível por que um dia Deus escolheu sofrer na cruz (Hb 4:15; Ap 13:8; 1Pe 1:20, 21; Jo 1:1-3, 14; Mt 27:26-50), para pagar nossa dívida para com Sua imutável Lei (ver Mt 5:17-19; Rm 3:31) e livrar-nos da morte eterna (ver Rm 6:23)[7]. Ele pagou um preço para que todos os que cressem em Jesus (Jo 3:16, 36) tivessem a oportunidade de um dia viver sem dor e tristezas num mundo em que haverá “novos céus e nova terra, nos quais habitarão justiça” (2Pe 3:13, adaptado).
Gostaria de sugerir a você, amigo leitor ateu ou agnóstico que, enquanto essa promessa de Deus não se cumpre, nossa maior preocupação atual não deveria ser entender todos os aspectos do sofrimento. Sugiro é que você e eu aprendamos a lidar com ele de maneira saudável, desenvolvendo nosso Quociente Emocional (QE) e não simplesmente o Quociente de Inteligência (QI)[8]. A forma como encaramos o sofrimento pode nos levar a nos apegarmos a Deus ou a abandonarmos a fé nEle. Dependerá de nossas reações diante das tragédias, bagagem familiar e estrutura psíquica. Parcialmente, dependerá também de nossa escolha.
O cantor gaúcho Vitor Mateus Teixeira, conhecido como Teixeirinha (1927- 1985), de quem aprecio diversas músicas, perdeu a mãe quando ele estava com apenas nove anos de idade. A música em que ele conta sobre seu sofrimento por causa da morte da mãe se chama “Coração de Luto”, e já vendeu mais de 25 milhões de cópias. Até o momento não conheço uma canção tão triste como essa, mas o que me chama a atenção na história desse artista é que, mesmo tendo ficado órfão e vivido pelas ruas, sofrendo de fome e frio, tamanha dor não afetou sua confiança em Deus, como se pode perceber em várias de suas canções.
Você e eu podemos agir como Teixeirinha diante de uma tragédia ou perdermos a confiança no divino, prendendo-nos em nossa limitada lógica e no vazio existencial de uma vida sem Jesus Cristo. A decisão será nossa.
CONCLUSÃO
Olhando mais misericordiosamente para os ateus e agnósticos, nosso trabalho em favor deles será muito mais eficaz. Mesmo que não venhamos a ter êxito em convencer alguns quanto à existência de Deus, poderemos quem sabe dar início a uma nova amizade com alguém que também passa por sofrimentos como nós e que pode, com sua bagagem cultural e experiência de vida contribuir para nosso crescimento pessoal.
Já pensou no quanto poderíamos somar à vida um do outro, e o que poderíamos fazer para aliviar de fato o sofrimento da humanidade e dos animais se, ao invés de brigarmos, nos uníssemos em amor altruísta?
 Fonte: Na mira da verdade

quinta-feira, março 15, 2012

Os piores inimigos

Talvez eles nem saibam que são ou nem mesmo se importam com isso, mas os ex-cristãos (especialmente ex-líderes) acabam sendo os piores inimigos da fé. Eles passam a ideia de que, porque estiveram do lado de cá (nas fileiras dos que creem), têm autoridade para falar sobre a descrença, como se sua descrença fosse regra ou uma experiência universal. Aconteceu algo assim com o ex-missionário evangélico Daniel Everett, cuja entrevista foi publicada nas páginas amarelas da revista Veja da semana passada. Everett diz ter perdido a fé no Brasil, quando estava traduzindo a Bíblia para a língua indígena piraã. Segundo o linguista, um índio piraã lhe perguntou se ele já havia visto Jesus e ele respondeu que, pessoalmente, nunca O havia visto. Então o índio disse que o missionário falava sobre alguém que não conhecia. Foi o suficiente para abalar a fé do ex-pastor, que disse na entrevista: “Para mim, se Jesus existiu mesmo, foi apenas uma pessoa boa, mas não o filho de Deus.”

Everett se esquece de que “pessoas boas” ou, pelo menos, mentalmente sãs, jamais afirmam que são Deus. Jesus fez isso mais de uma vez. Pessoas sábias nunca afirmam que existiram antes de haver mundo. Seriam consideradas loucas. Na verdade, creio que Everett realmente falava de alguém que nunca chegou a conhecer de verdade. Conhecer fatos sobre Jesus e a Bíblia não significa conhecer Jesus – experimentalmente falando. Digo que creio porque não posso afirmar isso. Não conheço Everett pessoalmente. Respeito a opinião dele e sei que muita gente passa por experiência semelhante (de perder a fé) quando a tribulação lhes bate à porta ou se deparam com dúvidas para as quais não estão preparados – seja para responder, seja para aceitar serenamente o mistério. Afinal, no “plano físico” de nossa existência, convivemos com tantos mistérios que não nos impedem de viver, por que não se daria o caso no “plano espiritual” (uso essas expressões sem a conotação que lhes dão os espíritas).

Assim que terminei de ler a entrevista com Everett, enviei um e-mail para a redação da revista Veja e disse-lhes que exatamente na semana seguinte (esta) estaria no Brasil um dos maiores defensores da fé cristã com base em argumentos bastante racionais (basta ler qualquer livro dele para conferir), o doutor em filosofia e em teologia William Lane Craig. Disse para o pessoal daVeja que entrevistá-lo serviria de ótimo contraponto à entrevista com o Everett (e que isso é bom jornalismo). Até agora não recebi qualquer resposta e, sinceramente, duvido que “ouvirão” a sugestão deste humilde blogueiro criacionista. Fiz isso outras vezes, por exemplo, quando a Vejapublicou entrevista com o neoateu Richard “devoto de Darwin” Dawkins e com o filósofo ateu Michel Onfray (notou a tendência da revista?). Nessas ocasiões, sugeri que eles entrevistassem não um criacionista (seria pedir demais), mas, pelo menos, cientistas que defendem o design inteligente, como Michael Behe ou Stephen Meyer. Nada.

Craig (autor, entre outros, do livro Em Guarda) ficará no Brasil por mais algumas semanas, mas acho que Veja deixará passar a oportunidade. Fazer o quê...

(Eu poderia mencionar, também, outros inimigos da fé que mercadejam com a ingenuidade – ou vontade de enriquecer materialmente – alheia; os tais pregadores da prosperidade que transformam cultos em espetáculos macabros e levam multidões para longe do verdadeiro reino de Deus. Mas deixo isso pra lá.)

Michelson Borges

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Uma divertida "aula evolucionista"

Um ateu garante: Deus existe!

Estou lendo dois ótimos livros: O Sacerdócio Expiatório de Jesus Cristo (Casa) e O Irmão de Jesus (Hagnos). O primeiro estou lendo como pré-requisito de uma disciplina do mestrado em Teologia. Oportunamente irei comentar algo sobre os dois. O “problema” é que ontem chegou uma encomenda que eu havia feito há algum tempo: o livro Um Ateu Garante: Deus Existe, do inglês Antony Flew (Ediouro, 191 p.). Não resisti, deixei os outros dois temporariamente de lado e dei uma boa olhada no testemunho do maior ateu do século 20. Parece mesmo ser muito bom! Segundo o texto da orelha, Flew é considerado o principal filósofo dos últimos cem anos (seu ensaio Theology and Falsification se tornou um clássico e a publicação filosófica mais reimpressa do século 20) e passou mais de cinquenta anos defendendo o ateísmo. Filho de pastor metodista, ele sempre foi incentivado a buscar razões e explicações para as coisas em que acreditava. Tornou-se ateu, formou-se em Oxford, lecionou em universidades importantes, mas foi justamente a vontade de buscar a razão de tudo que o fez rever seus conceitos sobre a fé.
O livro se divide em duas partes. Na primeira, Flew conta como chegou a negar a Deus, tornando-se ateu. Na segunda, ele analisa os principais argumentos que o convenceram da existência do Criador. No fim, há dois apêndices preciosos: “O novo ateísmo” (no qual são analisadas as principais ideias de ateus como Dawkins e Dennett) e “A auto-revelação de Deus na história humana” (com argumentos sobre a encarnação e a ressurreição de Jesus Cristo).
Em minha olhada rápida pelas páginas do livro, encontrei esta pérola: “Minha jornada para a descoberta do Divino tem sido, até aqui, uma peregrinação da razão. Segui o argumento até onde ele me levou, e ele me levou a aceitar a existência de um Ser auto-existente, imutável, imaterial, onipotente e onisciente” (p. 144).
E você, está disposto a fazer essa busca? [MB]
Do blog Criacionismo